Tribuna de Petrópolis, 09 de fevereiro de 2012
Pág. CÃES, GATOS E OUTROS BICHOS
Coluna AnimaVida
Essa é uma das leis naturais mais sábias e inevitáveis que existem. Pena que o ser humano ainda não tenha se conscientizado disso. Sempre guiado por desejos imediatistas, não avalia quase nada a médio e longo prazos.
O exemplo mais recente disso é a matança de garças no arquipélago de Fernando de Noronha, utilizando um método “ecológico”. Falcões foram trazidos para as ilhas para capturar as garças “sem machucá-las” para que as mesmas sejam eutanasiadas de forma indolor.
O motivo é que essas aves, mesmo com características migratórias, se fixaram no arquipélago e estão destruindo a fauna local, além de colocar em risco os vôos turísticos. É óbvio que reconhecemos o desequilíbrio provocado por essa espécie mas será que as culpadas são as garças?
Lendo o trabalho realizado por Mariana Vitali, aluna da Universidade de Brasília, descobrimos quem é o verdadeiro culpado por essa superpopulação de garças e pelo consequente desequilíbrio que ela vem provocando: a abundante oferta de alimentos encontrada nas imediações da usina de tratamento e reciclagem de resíduos sólidos, próxima ao aeroporto. Em outras palavras, o arquipélago recebe um grande número de turistas, que gera uma grande quantidade de lixo, que acaba atraindo e fixando as garças por lá.
Ao invés de promover um maior controle sobre os visitantes e sobre seus descartes é mais simples matar as garças.
O mesmo ocorreu na década de 1960 quando introduziram os tejus (tipo de lagarto) na ilha com o intuito de controlar as grandes populações de ratos e sapos que, por seu lado, também tinham sido, anteriormente, levados pelo ser humano. Só esqueceram de um “pequeno” detalhe: os tejus têm hábitos diurnos enquanto os sapos e ratos possuem hábitos noturnos. Ou seja, nunca se encontravam. Precisa falar mais alguma coisa?

 

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